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2W Weekly | 28 de Junho

28 de junho de 2021

Preço de Liquidação das Diferenças (PLD)

Na quarta semana operativa de junho de 2021 (19/06/2021 a 25/06/2021), a média semanal do PLD fechou em R$ 321,30/MWh, R$ 321,30/MWh, R$ 293,70/MWh, R$ 320,69/MWh, para os submercados Sudeste, Sul, Nordeste e Norte respectivamente.

A variação em relação ao preço médio da função de custo futuro do modelo do DECOMP foi de -R$ 1,32/MWh, -R$ 1,32/MWh, R$ 25,83/MWh, -R$ 1,93/MWh, para os submercados Sudeste, Sul, Nordeste e Norte respectivamente.

Para a primeira semana operativa de julho de 2021 (26/06/2021 a 02/07/2021), a função de custo futuro do modelo DECOMP indica um preço de R$ 583,88/MWh, R$ 583,88/MWh, R$ 583,88/MWh, R$ 583,88/MWh, para os submercados Sudeste, Sul, Nordeste e Norte respectivamente.

A expectativa atual do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) de Energia Natural Afluente (ENA) para o mês de julho é de 63% da MTL no subsistema Sudeste, 53% da MTL no subsistema Sul, 43% da MTL no subsistema Nordeste e 80% da MTL no subsistema Norte.

A estimativa realizada hoje pela 2W Energia para o mês de julho, com modelos hidrológicos do tipo Chuva X Vazão, apresenta para o subsistema Sudeste um intervalo de 62% a 63% da MLT, centrado em 62%. O subsistema Sul fica entre 50% e 100% da MLT, centrado em 60%.

A Energia Armazenada inicial em 25/06/2021 é de 29,5%/ 61,4%/ 60,0%/ 83,1% nos subsistemas Sudeste, Sul, Nordeste e Norte, respectivamente.

Cenário atual e diferenças em relação à semana passada:

Precipitação realizada

No fim de semana, havia expectativa da entrada de uma frente fria no sul do Brasil, causando os maiores volumes de chuva sobre o Rio Grande do Sul, em particular sobre a bacia do Jacuí, mas posteriormente atuando sobre as bacias do Uruguai e Iguaçu.

A realização ficou bem aderente à previsão feita pelo modelo ECMWF, mas o GFS subestimou a precipitação nas bacias do Sul em torno de 20mm.

Precipitação para os próximos 15 dias

Após a passagem do sistema atual, que ainda pode deixar mais alguns volumes precipitados principalmente sobre a bacia do Iguaçu, não há indicativo nas previsões de hoje de outros eventos trazendo chuva para as bacias do SIN.
Com isso, a previsão para a primeira quinzena do mês de julho estabelece um cenário bem distante do climatológico, principalmente para a Região Sul do Brasil.

Interpretações do mercado

Algumas semanas atrás, nesta carta, ponderei sobre o paradoxo do clima: se a seca se mantivesse, poderíamos ver algum movimento governamental de incentivo a redução de consumo, o que por sua vez pode ocasionar um alívio baixista nos preços do Q4/21.

Isso pode ainda ter um efeito encavalado no Q1/22, pois existe a chance de termos um retorno a normalidade climatológica no período úmido somado a uma carga reduzida pelos esforços de marketing do MME.

Lembramos aqui que no último evento de “apagão”, no governo Fernando Henrique, tivemos uma redução estrutural na carga devido as medidas. A população de certa forma aprende a poupar energia, e o fim do racionamento não significa um retorno ao consumo na magnitude prévia aos esforços.

A tese, que inicialmente orbitava mais no ramo da criatividade, está tomando um certo corpo: o clima segue ruim, o sul, que estava com alguma previsão de chuvas, secou totalmente, e hoje as 20 horas o ministro de minas e energia fará um discurso à nação sobre o racionamento. Aguardemos.

E enquanto nada disso acontece, seguimos na mesma – preços próximos a teto, subida na curva inteira, no balcão só se vê demanda. Durante o dia de hoje o mercado atuava lento, com poucos negócios na tela. Os preços são:

Jul/21 @568; Ago/558 @; Set/21 @532; Out/21@502; Nov/21 @480; Dez/21 @385; ano 2022 @365, com Q1/22 @432 e safra/22 @345, e ano 2023 @250.

Em tempo, sobre a térmica a gás natural GNA1: os testes estão sendo realizados e agora o mercado trabalha em um adiantamento para agosto na entrada. Apesar disso, sem novidades no PMO, então para efeitos de preço ainda está sendo considerada a entrada para Novembro 2021/.

Por fim, temos dia 02/07 o fim da consulta publica a respeito das mudanças sugeridas pelo CPAMP, no modelo computacional que calcula o PLD. Algumas associações acreditam que está se sugerindo uma multitude de medidas sobrepostas, de forma que o sistema vai ser onerado de forma desproporcional ao benefício obtido.

A aceitação, ou não, das contra sugestões enviadas na CP, deve impactar bastante nos preços de longo prazo, principalmente para baixo, dado que a subida vertiginosa das últimas semanas tem muita correlação com o mercado antecipando os modelos com as mudanças sugeridas integralmente pelo CPAMP.

Artur Teixeira e Clarissa Freitas