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2W Weekly | 19 de Abril

19 de abril de 2021

Preço de Liquidação das Diferenças (PLD)

Na terceira semana operativa de abril de 2021 (10/04/2021 a 16/04/2021), a média semanal do PLD fechou em R$ 108,77/MWh, R$ 115,38/MWh, R$ 66,47/MWh, R$ 49,77/MWh, para os submercados Sudeste, Sul, Nordeste e Norte respectivamente.

A variação em relação ao preço médio da função de custo futuro do modelo do DECOMP foi de -R$ 1,70/MWh, R$ 4,91/MWh, -R$ 28,63/MWh, R$ 0,00/MWh, para os submercados Sudeste, Sul, Nordeste e Norte respectivamente.

Para a quarta semana operativa de abril de 2021 (17/04/2021 a 23/04/2021), a função de custo futuro do modelo DECOMP indica um preço de R$ 154,58/MWh, R$ 154,58/MWh, R$ 138,28/MWh, R$ 138,28/MWh, para os submercados Sudeste, Sul, Nordeste e Norte respectivamente.

A expectativa atual do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) de Energia Natural Afluente (ENA) para o mês de abril é de 63% da MTL no subsistema Sudeste, 38% da MTL no subsistema Sul, 36% da MTL no subsistema Nordeste e 81% da MTL no subsistema Norte.

A estimativa realizada hoje pela 2W Energia para o mês de abril, com modelos hidrológicos do tipo Chuva X Vazão, apresenta para o subsistema Sudeste um intervalo de 63% a 64% da MLT, centrado em 63%. O subsistema Sul fica entre 34% e 40% da MLT, centrado em 34%.

A Energia Armazenada inicial em 16/04/2021 é de 35,2%/ 28,9%/ 67,7%/ 80,4% nos subsistemas Sudeste, Sul, Nordeste e Norte, respectivamente.

Cenário atual e diferenças em relação à semana passada:

Precipitação realizada

No fim de semana, um cavado avançou do Sul ao Sudeste do Brasil, causando uma precipitação por volta de 10mm acumulados por bacia. Na região norte, pancadas de chuva de forte intensidade em alguns pontos deixam volumes mais relevantes, com destaque para o baixo Xingu, além de alguns pontos mais isolados na bacia do Tocantins, principalmente entre os dias 18/04 e 19/04.

Precipitação para os próximos 15 dias

A previsão de hoje para os próximos 15 dias apresentou uma redução quase absoluta nos volumes de chuva do Sul e Sudeste, quando comparada com a rodada da últimas sexta-feira. Além disso, os dias que ganhamos de horizonte nos modelos de tempo apresentam zero chuva nas bacias do Sul e Sudeste.

As regiões Norte e Nordeste permanece com previsão de precipitação para os próximos 15 dias.

Interpretações do mercado

A deliberação pelos agentes sobre a mudança, ou não, das vazões mínimas operativas das usinas de Jupiá e Porto Primavera, foi o grande ponto de interrogação regulatório da semana passada.

Antes, os agentes esperavam que as novas defluências mínimas sugeridas pela ONS no último PMO de abril – 2.500 m3/s para Jupiá e 3.300 m3/s para P.Primavera – entrariam oficialmente via PMO de maio, ou seja, seriam válidas para o modelo de precificação a partir de jun/21.

Durante a semana, o fato de não terem ainda iniciado os testes de vazão no rio paraná fez com que os agentes mudassem sua percepção, e agora o mercado está dividido sobre esse input. Algumas casas rodam valores intermediários de vazão mínima, como por exemplo Jupiá a 3.300 m3/s, e P.Primavera a 4,000 m3/s.

Não obstante, seguimos no mais do mesmo: Piora constante nos cenários hidrológicos, mapas de clima super secos e armazenamento no submercado sul e sudeste já entrando em queda. Tudo isso causou impacto forte no preço, em toda a curva.

Na abertura hoje temos Mai/21 @220, jun@21 320, Jul/21 @380, Q3/21 @355 e 2sem/21 @245. O longo não ficou pra trás, com 2022 alcançando a marca de 235 reais o mwh, enquanto 2023 foi negociado a 185.

Todos esses produtos estão negociando em seu high histórico, e não há nada além de uma possível mudança nas expectativas climáticas que indique uma queda nesses preços, pelo menos por enquanto.

Há quem argumente sobre o descasamento desses preços com as rodadas do modelo computacional de precificação. Na prática, não existe hoje força vendedora no mercado para segurar essa alta. Acreditamos que com algum sinal de chuva na sub-região sul, os players podem se seguros de apostar em quedas novamente.

Outro fator que vem impulsionando a subida é o próprio fluxo de mercado ocasionado pelos geradores, muitos ainda fazendo seu hedge do GSF. Mesmo quem gera energia, hoje, é comprador.

Artur Teixeira e Clarissa Freitas