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2W Weekly | 15 de Março

15 de março de 2021

Entenda as principais variações no mercado de energia com o nosso Diretor de Trading, Artur Teixeira, e nossa Head de Middle Office, Clarissa Freitas, que trazem para você uma análise completa da semana operativa. Confira abaixo:

Preço de Liquidação das Diferenças (PLD)

Na segunda semana operativa de março de 2021 (06/03/2021 a 12/03/2021), a média semanal do PLD fechou em R$ 70,71/MWh para o submercado Sudeste, R$ 71,37/MWh para o submercado Sul, R$ 60,03/MWh para o submercado Nordeste e R$ 52,49/MWh para o submercado Norte.

A variação em relação ao preço médio da função de custo futuro do modelo do DECOMP foi de -R$ 1,08/MWh para o submercado Sudeste, -R$ 0,43/MWh para o submercado Sul, -R$ 9,93/MWh para o submercado Nordeste e +R$ 2,72/MWh para o submercado Norte.

Para a terceira semana operativa de março de 2021 (13/03/2021 a 19/03/2021), a função de custo futuro do modelo DECOMP indica um preço de R$ 119,60/MWh para os submercados Sudeste e Sul, R$ 117,36/MWh para o submercado Nordeste e R$ 49,77/MWh para o submercado Norte.

A expectativa atual do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) de Energia Natural Afluente (ENA) para o mês de março é de 78% da MTL no subsistema Sudeste, 71% da MTL no subsistema Sul, 67% da MTL no subsistema Nordeste e 107% da MTL no subsistema Norte.

A estimativa realizada hoje pela 2W Energia para o mês de março, com modelos hidrológicos do tipo Chuva X Vazão, apresenta para o subsistema Sudeste um intervalo de 77% a 81% da MLT, centrado em 78%. O subsistema Sul fica entre 65% e 90% da MLT, centrado em 72%.

A Energia Armazenada inicial em 12/03/2021 é de 32,7%/ 65,8%/ 64,4%/ 69,9% nos subsistemas Sudeste, Sul Nordeste e Norte, respectivamente.

Cenário atual e diferenças em relação à semana passada:

Precipitação realizada

A previsão meteorológica para o fim de semana simulava um alinhamento de áreas de instabilidade em conjunto com atuação de pancadas de chuva, causando precipitação fraca sobre as regiões Norte e Sudeste do Brasil.

A realização foi aderente à previsão, principalmente projetada pelo GFS, que previa volumes em torno de 20mm acumulados sobre o Grande e Paranaíba. Já o ECMWF subestimou a chuva realizada nas duas bacias citadas, mas a intensidade das chuvas previstas e realizadas não foram relevantes para causar impacto no SIN.

Precipitação para os próximos 15 dias

Ao comparar as previsões feitas na última sexta-feira com as de hoje, nota-se mudanças relevantes no padrão meteorológico. Na previsão de hoje, a partir do dia 20/03 é simulada uma alta pressão em níveis médios da atmosfera, com características de bloqueio, posicionada entre as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil. Esse sistema de alta pressão impede o avanço de frentes frias sobre as bacias brasileiras até dia 29/03, quando um sistema frontal consegue avançar empurrando o posicionamento da alta, e consequentemente causando chuvas nas bacias do subsistema Sul.

Interpretações do mercado

De forma análoga ao acontecido no início da semana passada, hoje os mercados abriram muito céticos com os mapas climatológicos, e por conta disso em alta.

No início da tarde os preços estavam nas máximas mensais, com abr/21 @120, mai/21 @132, jun/21 @182, Q3/21 @216 e 2 sem/21 @225.

Dentre os motivos que ocasionaram a alta, a carga é na nossa visão o mais relevante. Boa parte do mercado havia precificado um efeito para baixo no consumo de energia, principalmente por conta do a fase emergencial do estado de são Paulo, que proíbe inclusive os escritórios de funcionarem.

No entanto, mesmo no fim de semana e durante o dia de hoje, não conseguimos perceber queda significativa da carga. Vale lembrar que a temperatura está alta, o que impacta positivamente a carga e pode compensar o efeito negativo do “lockdown”.

Vale notar que a volatilidade sentida nessa época ainda está muito inferior ao que aconteceu por diversas vezes em janeiro e fevereiro. Movimentos de no máximo 20 reais no dia, e geralmente na volta do fim de semana.

O motivo para essa diferença é que os preços hoje estão representando um cenário climatológico muito atípico para a época do ano – quase o famoso “zero chuva”. Então a piora nos mapas tem efeito reduzido sobre os preços e a subida costuma ser mais vagarosa, conforme a falta de chuvas vai se confirmando.

Em resumo, não existia na sexta feira grande previsão climatológica, de maneira que não existia muita expectativa a ser frustrada. No jargão de mercado, o mapa “não tem muito pra secar”.

Não obstante, os submercados Norte e Nordeste continuam apesentando boa recuperação e surpreendendo, ainda que pouco, positivamente. É isso que vem segurando bem os níveis de armazenamento e que impediu o ajuste para cima nos preços de ter sido mais vertiginoso.

 

Artur Teixeira e Clarissa Freitas