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2W Weekly | 14 de Junho

14 de junho de 2021

Preço de Liquidação das Diferenças (PLD)

Na segunda semana operativa de junho de 2021 (05/05/2021 a 11/06/2021), a média semanal do PLD fechou em R$ 276,15/MWh, R$ 276,15/MWh, R$ 271,74/MWh, R$ 273,07/MWh, para os submercados Sudeste, Sul, Nordeste e Norte respectivamente. A variação em relação ao preço médio da função de custo futuro do modelo do DECOMP foi de R$ 5,70/MWh, R$ 5,70/MWh, R$ 10,90/MWh, R$ 12,23/MWh, para os submercados Sudeste, Sul, Nordeste e Norte respectivamente.

Para a terceira semana operativa de junho de 2021 (12/05/2021 a 18/06/2021), a função de custo futuro do modelo DECOMP indica um preço de R$ 273,26/MWh, R$ 273,26/MWh, R$ 267,03/MWh, R$ 272,83/MWh, para os submercados Sudeste, Sul, Nordeste e Norte respectivamente.

A expectativa atual do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) de Energia Natural Afluente (ENA) para o mês de junho é de 66% da MTL no subsistema Sudeste, 57% da MTL no subsistema Sul, 37% da MTL no subsistema Nordeste e 71% da MTL no subsistema Norte.

A estimativa realizada hoje pela 2W Energia para o mês de junho, com modelos hidrológicos do tipo Chuva X Vazão, apresenta para o subsistema Sudeste um intervalo de 65% a 71% da MLT, centrado em 66%. O subsistema Sul fica entre 35% e 126% da MLT, centrado em 45%.

A Energia Armazenada inicial em 11/06/2021 é de 30,8%/ 59,8%/ 61,8%/ 84,2% nos subsistemas Sudeste, Sul, Nordeste e Norte, respectivamente.

Cenário atual e diferenças em relação a semana passada:

Precipitação realizada

No fim de semana, assim como sinalizava a previsão, não houve precipitação relevante nas bacias do SIN.

Precipitação para os próximos 15 dias

A previsão de hoje simula a continuidade do cenário seco até o final dessa semana. A partir do dia 18/06, um cavado atua causando chuva na faixa leste do país, principalmente sobre as bacias do Paranapanema e Tietê de acordo com o modelo GFS. Já o ECMWF distribui a precipitação entre as bacias do Paraná, Paranapanema, Tiete, Iguaçu e Uruguai.  No final do horizonte de previsão, a partir do dia 26/06, todos os modelos apontam a possibilidade de um novo evento com chuvas sobre a região Sul.

Interpretações do mercado

A semana passada foi marcada principalmente pela manutenção da alta volatilidade nos produtos de longo prazo, devido a contínua expectativa climatológica ruim e viés confirmatório de que as mudanças sugeridas pelo CPAMP serão, em alguma intensidade, de fato implementadas.

Já durante o dia de hoje o mercado atuava lento, com poucos negócios na tela e balcão parado. Os preços são:

Jun/21 @335; Jul/21 @550; Ago/550 @; Set/21 @530; Out/21@490; Nov/21 @460; Dez/21 @365; ano 2022 @345, com Q1/22 @400 e safra/22 @330, e ano 2023 @235.

Vale frisar que os produtos no 2021 subiram pouco quando comparados aos produtos de longo, que costumam ter volatilidade relativa menor. A razão desse fenômeno é simples: as mudanças no modelo entram para a formação de preços apenas em janeiro de 2022. Logo, out/21, nov/21 e dez/21, que ainda tem espaço para subir, seguem praticamente inalterados na semana.

Além disso tivemos o fim do mercado de curto prazo, sem grandes surpresas. A semana corrente está recheada de leilões das grandes geradoras, o que deve ditar o tom das precificações no longo prazo.

Por fim, vale notar que a constante frustração de mapas de chuva, que já nem previam tanta água assim, vai pouco a pouco aumentando o ceticismo quanto a posições vendidas (apostas no “retorno a média”) dos agentes. Por conta disso, a maior parte dos players hoje segue ou pouco posicionada, ou comprada.

Sempre é bom ponderar sobre o improvável. O momento gera um paradoxo curioso – se a climatologia se mantiver a pior possível até o fim do ano, poderemos ter uma chamada ao racionamento de energia, o que inclina para baixo a curva foward de preços, principalmente no 2022.

Isso ocorre pois a população costuma demorar para retomar os níveis anteriores de consumo, mesmo após o fim do racionamento, este que só se encerraria caso tivéssemos uma dinâmica razoável de chuvas. Nesse momento, com reservatórios cheios e carga baixa, teríamos uma combinação forte para preços bem reduzidos quando comparados a hoje.

Artur Teixeira e Clarissa Freitas