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2W Weekly | 08 de Março

8 de março de 2021

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Entenda as principais variações no mercado de energia com o nosso Diretor de Trading, Artur Teixeira, e nossa Head de Middle Office, Clarissa Freitas, que trazem para você uma análise completa da semana operativa. Confira abaixo:

Preço de Liquidação das Diferenças (PLD)

 

Na primeira semana operativa de março de 2021 (27/02/2021 a 05/03/2021), a média semanal do PLD fechou em R$ 119,64/MWh para o submercado Sudeste, R$ 123,01/MWh para o submercado Sul, R$ 63,42/MWh para o submercado Nordeste e R$ 61,47/MWh para o submercado Norte.

A variação em relação ao preço médio da função de custo futuro do modelo do DECOMP foi de -R$ 19,77/MWh para o submercado Sudeste, -R$ 16,41/MWh para o submercado Sul, -R$ 75,08/MWh para o submercado Nordeste e -R$ 74,60/MWh para o submercado Norte.

Na segunda semana operativa de março de 2021 (06/03/2021 a 12/03/2021), a função de custo futuro do modelo DECOMP indica um preço de R$ 71,80/MWh para os submercados Sudeste e Sul, R$ 69,97/MWh para o submercado Nordeste e R$ 49,77/MWh para o submercado Norte.

A expectativa atual do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) de Energia Natural Afluente (ENA) para o mês de março é de 81% da MTL no subsistema Sudeste, 83% da MTL no subsistema Sul, 76% da MTL no subsistema Nordeste e 108% da MTL no subsistema Norte.

A estimativa realizada hoje pela 2W Energia para o mês de março, com modelos hidrológicos do tipo Chuva X Vazão, apresenta para o subsistema Sudeste um intervalo de 77% a 97% da MLT, centrado em 80%. O subsistema Sul fica entre 60% e 82% da MLT, centrado em 65%.

A Energia Armazenada inicial em 05/03/2021 é de 30,6%/ 64,2%/ 60,9%/ 65,4% nos subsistemas Sudeste, Sul Nordeste e Norte, respectivamente.

Cenário atual e diferenças em relação à semana passada:

Precipitação realizada

A previsão meteorológica para o fim de semana simulava o avanço de uma frente fria pelo Sudeste brasileiro, causando precipitação nas bacias do Paranapanema, Tietê, Grande e Paranaíba, além da região Norte.

A realização ficou abaixo da previsão feita pelos modelos meteorológicos. O GFS superestimou as bacias do Paranaíba, Tietê e Paraná em uma média de 10 mm acumulados no fim de semana. Já o ECMWF superestimou as bacias do Tietê, Paranapanema, Paraná e Iguaçu em uma média de 15 mm acumulados.

Precipitação para os próximos 15 dias

Nas próximas duas semanas, teremos uma continuidade do padrão de precipitação sobre o Sudeste, Centro-Oeste e Norte, causando os maiores volumes nas bacias do São Francisco (MG e parte da Bahia em alguns momentos), Paranaíba, Tocantins, Xingu, Amazonas, além de parte da bacia do Grande em alguns momentos.

Ao comparar as previsões feitas na última sexta-feira com as de hoje, nota-se uma tendência de confirmação desse locacional das chuvas sobre o Sudeste/Centro-Oeste/Norte, em detrimento da região Sul.

Interpretações do mercado

Na semana passada tivemos os preços batendo os níveis mais baixos desde o momento mais intenso do lockdown, em maio do ano passado. Abril e maio encostaram nos 90 reais, e Q3 foi negociado a 170/mwh.

No entanto, por conta de frustrações na chuva no fim de semana, piora nos mapas de clima – principalmente no ECMWF – e geradores preocupados com o GSF, os geradores vieram com força as compras nessa segunda feira, causando quase 30 reais de impacto para cima na curva de 2021.

No início da tarde desta segunda feira, os preços praticados na BBCE eram mar/21 @114, abr/21 @105, mai/21 @115, jun/21 @159. Pouca liquidez e poucos vendedores também fizeram com que os preços subissem intensamente no médio praz. Q3 era negociado a @198 e 2 sem @207.

Apesar de concordarmos com a piora na climatologia, nos pareceu que os preços andaram de forma mais intensa do que a diferença de expectativa nos mapas, principalmente nos produtos mais longos onde o valor negocia em torno de 200 reais o mwh.

Para o os produtos mais curtos, conforme falamos na semana passada, o fato de nominalmente estarmos próximos de 100 reais faz com que seja natural alguma aversão ao risco vendido por parte dos principais players e comercializadores.

A ENA do submercado Norte ainda está boa, o armazenamento em todos os submercados segue em alta e a carga está relativamente baixa, por conta do lockdown em diversas capitais do brasil devido a piora nas condições dos leitos e superlotação das UTIs.

Vale lembrar que no fim de março teremos a atualização quadrimestral da carga, que pode ocorrer também para baixo devido a piora nas condições fiscais e expectativa de PIB brasileiro para os próximos anos.

Em paralelo, para 2022 em diante sentimos um movimento mais brando na alta de preços, o que corrobora a teoria de que boa parte do fluxo de compras está fortalecido pela necessidade de proteção do GSF por parte dos geradores hidrelétricos.

 

Artur Teixeira e Clarissa Freitas